quarta-feira, 25 de junho de 2008

A segunda noite



Ola minha jovem! Não esta muito tarde pra uma senhorita como você andar por essas ruas? Quer dizer que seu namorado te deixou esperando? Hahaha! Acostume-se, a maioria das pessoas não sabe valorizar as coisas que tem. Bem, se é pra você afogar suas magoas, veio ao bar certo! Sabe, ultimamente coisas estranhas tem acontecido por essas redondezas. Que tipo de coisas? Ah, essas que aparecem no jornal, pessoas morrendo, sumindo. Não, não se assuste, aqui dentro você esta protegida, não preocupe.

Quer beber alguma coisa? Bem, deixa eu te oferecer uma bebida. Tome. Gostou? Eu sabia, o velho Belberith aqui nunca erra. Que tal ouvir uma historia pra acompanhar esse drink, se incomoda? Não?! Que bom, vou te contar uma historia sobre uma jovem tão bonita quanto você, mas que aparentemente tinha o defeito do seu namorado. Não valorizava o que possuía.

Ela era filha de um homem muito poderoso na região onde morava e por isso mesmo se achava superior aos outros. È fácil possuir esse defeito quando se possui tudo aquilo que outras pessoas possam desejar. Não é? Pois bem, vamos continuar então. Ela era tão bonita quanto você e tinha o costume de passear pelas ruas da cidade exibindo-se para os jovens rapazes. O problema, é que quando se chama muita atenção para si, atrai também olharem invejosos. E naquela cidade morava uma velha bruxa má... Hahaha! Estou falando sério, essa historia aconteceu mesmo. Eu sei que é difícil acreditar em “bruxas más”, mas se você pensar bem, não é tão inacreditável assim.

Bem, vou continuar, um dia, essa jovem bonita passou em frente a loja da bruxa e viu um par de sapatos vermelhos muito bonitos. É claro que ela os queria pra si, em posse daqueles sapatos, todo mundo iria olhar pra ela, e ela chamaria mais atenção ainda.

Tome outro drink, o seu já acabou, não se preocupe, enquanto estiver ouvindo minha historia não pagara nada, é o mínimo que o velho Belberith aqui pode fazer já que esta alugando seus ouvidos.

Aonde parei? A é, na parte dos sapatos. Então, ela viu aqueles sapatos lindos sendo vendidos na loja da bruxa e sem pensar duas vezes foi lá e os comprou. A bruxa, esperta como ela só, tentou falar pra ela não comprar-los, mas como era esperado, isso só aumentou a vontade da menina de comprar os lindos sapatos vermelhos.

Ao chegar em casa, ela experimentou eles pela primeira vez. Nossa! Como ela ficava bonita. Passou-se uma semana e chegou o dia do baile da lua cheia na cidade, e ela como sempre, vestiu sua melhor roupa com a intenção de esnobar as outras jovens humildes da cidade. Naquela noite, a bruxa se fantasiou e foi vestida na forma de um gato preto para a festa. Chegou a hora da dança e a jovem começou a dançar com o namorado de uma outra menina, que em desespero, rompeu-se em prantos.

Ao ver aquilo, a bruxa decidiu que era hora de ativar o feitiço que tinha posto nos sapatos vermelhos bem antes da jovem os comprar. Ela sem conseguir parar, foi dançando jardim afora, e dançando atravessou a cidade em um estase louco. Mas quando já tinha cansado, percebeu que não conseguia parar. Continuou a dançar a até o dia seguinte, seus pés doíam e suas pernas de moça pareciam querer se quebrar como galhos secos. E não é que na estrada vinha vindo um lenhador?! Ao vê-lo, a jovem gritou com toda a força que ela tinha para que ele viesse ajudar-la.

- Por favor, me ajude lenhador, me faça parar – suplicou ela.

O lenhador caminhou até ela com seu machado nas mãos e enquanto a jovem suplicava, arrancou as pernas dela fora com um golpe. O corpo sem pernas dela caiu para um lado enquanto aquele par de pés continuava a dançar calçando os sapatos. Desesperada ela começou a chorar por ter perdido seu corpo perfeito.

Calma, calma, já estou terminando, eu sei que já esta tarde, não se apresse, seu namorado ira vir te pegar. Como eu sei? Ele não conhece esse bar? Bem, espere e verá.

Agora tome mais esse drink e escute o resto da historia.

Ao ver a jovem chorando, o lenhador se transformou na bruxa. Ela olhou pra jovem caída chorando e começou a rir, zombando dela por ter caído no truque da velha. Dês daquele dia, a jovem nunca mais saiu de seu castelo e alguns dizem que ela morreu de amargura enquanto podia ver suas pernas dançando nos dias do baile da lua cheia por de cima do monte.

Hahaha! Eu sei, é uma historia pavorosa. Mas olha lá na porta, não é seu namorado? Como eu sei? Ora, eu já disse, o velho Belberith aqui sabe de tudo. Mas ué? Aquela ali abraçada com ele não é sua melhor amiga? Viu, não disse que as pessoas não sabem valorizar aquilo que tem?

Hahaha....


(inspirado no texto: "Sapatos Vermelhos")

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A primeira noite


Ola rapaz! Quanto tempo que eu não te vejo por aqui em? Vai querer o que? Uma cerveja? È eu sei, as coisas tem ficado complicadas mesmo, nos últimos tempos as coisas tem mudado muito. O que? É só a segunda vez que você vem aqui. Como é que eu me lembro de você? Hahaha! É que o velho Belberith aqui nunca se esquece de um rosto rapaz. Ah! Você veio por causa daquela historia que te contei da ultima vez? Não, infelizmente eu não posso repetir a historia. Ta vendo aquela mesa ali do canto, então, foi daquele casal que falei da ultima vez!

Ué! Pensei que não tinha acreditado na historia! Não acreditou? Então por que veio aqui de novo? A ta, entendo. Quer dizer que você faz jornalismo e quer publicar aquela conversa nossa como sua primeira matéria? Não, claro, por mim tudo bem. Só não quero que esse lugar fique cheio de jornalistas, câmeras, e coisas do gênero.

Sabe rapaz, muita coisa acontece hoje em dia pelas ruas, nos bares, nos becos e ninguém sabe, ninguém vê. Só que eu, o velho Belberith aqui não se engana, meus olhos podem estar velhos, podem estar cansados, mas minha cabeça ainda esta no lugar. Ta rindo do que? To falando sério! Hahaha!

Bem, se quer conversar, tudo bem, podemos fazer isso. Tome essa aqui, é por conta da casa! Gostosa né?! Eu conheço bem os gostos daqueles que vem aqui. Mas vamos lá. Vamos ao que interessa, a nossa historia:

Foi em uma noite quente, um homem entrou pela porta da frente e se sentou numa mesa do canto. Parecia não querer muito papo, vestia uma camiseta branca, o corpo magro, devia ser algum viciado. Ele estava fumando incessantemente. Depois de um tempo, veio até aqui, bem aonde você esta sentado, pediu uma cerveja, acendeu mais um cigarro, não queria papo. Esperou até mais ou menos meia noite e começou a falar, meio que vomitando as palavras.

Ele disse que estava fugindo a noite toda de uns caras ai e que ter encontrado o bar foi sua única salvação, sua mão tremia, ele estava nervoso. Ele disse que os caras eram vampiros. Haha! Achou que ia me assustar assim. Ele começou a descrever a forma deles, os dentes pontiagudos, os olhos vermelhos, a pele clara. Eu ficava apenas olhando pra ele enquanto enxugava os copos no balcão. Ele achava que eu iria ajudar ele, coitado. Após alguns minutos ali ele sentiu a mão fria de um de seus perseguidores tocando-lhe o ombro. Ele olhou pra trás assustado, não esboçou reação, seu cigarro pendeu da boca e caiu no chão. O vampiro me cumprimentou com um aceno da cabeça, olhou bem nos olhos do rapaz e disse:

- Esta na hora de pagar suas contas meu jovem.

E ele ainda achava que eu iria lhe ajudar. Aqui se faz aqui se paga meu caro. O que aconteceu com o rapaz? Você quer saber o que aconteceu com o rapaz? Bem, ele aparece aqui de vez em quando, acompanhado dos mesmos homens que lhe perseguiram. E acredito que ele continuara vindo aqui por um looooooooonnngo tempo... Hahaha!